O uso de expressões capacitistas no cotidiano ainda é comum na sociedade brasileira e pode reforçar preconceitos contra pessoas com deficiência. Termos aparentemente inofensivos, repetidos em conversas informais, carregam uma história de desvalorização e estigmatização. Rever o vocabulário é um passo importante para construir uma sociedade mais respeitosa, justa e acessível.
Palavras e expressões como “retardado”, “se fazer de surdo”, “dar uma de João sem braço”, “deu mancada”, “está muito autista” ou “fingir demência” são exemplos de frases que associam deficiências a comportamentos negativos, como irresponsabilidade, desonestidade ou desatenção. Para promover uma comunicação mais inclusiva, o ideal é substituí-las por termos neutros, como “imaturo”, “parece que não ouviu”, “se esquivar”, “errou”, “está distraído” ou “se fez de desentendido”.
Além de promover estereótipos, esse tipo de linguagem pode contribuir para que aconteça mais exclusão social. A deficiência, seja ela física, intelectual ou sensorial, não define o valor ou a capacidade de uma pessoa. O que realmente limita a participação plena na sociedade é a falta de acessibilidade, informação e respeito.
A legislação brasileira também reforça a importância do combate a qualquer forma de discriminação. O artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) estabelece como crime a prática, o incentivo ou o estímulo à discriminação contra pessoas com deficiência, a prever punições para atitudes que reforcem preconceitos.
Comunicação — Para o secretário da Secretaria Especial de Inclusão (Sinc-Rio), João Mendes de Jesus, a mudança de cultura começa com atitudes simples no dia a dia. “A inclusão também passa pela forma como nos comunicamos. Precisamos refletir sobre as palavras que usamos, porque elas carregam valores e podem ferir ou acolher. Combater o capacitismo é um compromisso de todos que acreditam em uma sociedade mais justa e respeitosa” — afirma o secretário.
Questões importantes sobre o tema tem sido cada vez mais discutidas em campanhas e ações educativas, a mostrar que pequenas mudanças na linguagem podem contribuir para uma convivência mais inclusiva e para o respeito aos direitos das pessoas com deficiência.
























